Guia · Financeiro
Como organizar o financeiro de shows: cachê, despesas e margem real
Cachê alto não significa lucro alto. Só a conta show a show mostra a diferença.
Atualizado em 29 de agosto de 2026 · leitura de 6 minutos
É comum uma banda fechar dez shows num mês e, no fim, não saber dizer quanto sobrou de verdade. Não é falta de dinheiro entrando — é falta de ligar o que entra ao que sai, show por show, em vez de olhar só o total no fim do mês.
Cachê recebido não é lucro
O número que importa é o que sobra depois de tirar as despesas daquele show específico: deslocamento, equipe, hospedagem, alimentação, reserva de equipamento. Dois shows com o mesmo cachê podem ter margens bem diferentes — um perto de casa, outro a 300 km.
Uma banda que aceita todo show pelo cachê nominal, sem olhar a margem, pode estar trabalhando mais em fevereiro do que em janeiro e ganhando menos — só que isso só aparece na conta, nunca no cachê sozinho.
O que lançar em cada show
- Cachê — valor combinado, e se já foi recebido ou ainda está a receber.
- Deslocamento — combustível, pedágio, passagem, estacionamento.
- Equipe — o que é pago a músicos e técnicos contratados pra aquela data.
- Hospedagem e alimentação — quando não cobertos pelo contratante.
- Equipamento — aluguel do que faltou, ou a reserva de manutenção proporcional.
O resultado — cachê menos essas despesas — é a margem real daquele show. Some vários shows e você tem a margem real do mês, não uma estimativa.
Separe "a receber" de "recebido"
Cachê combinado não é dinheiro em caixa. Manter os dois estados separados evita a armadilha de contar como faturamento algo que ainda depende do contratante pagar — comum em show com pagamento parcelado ou em prazo.
Por que planilha costuma falhar aqui
O problema não é a planilha em si, é a disciplina de lançar tudo, sempre, logo depois de cada show — na prática, isso desanda depois de algumas semanas. O que funciona de verdade é o financeiro nascer junto com o show, não como uma tarefa separada pra lembrar depois.
Olhe por praça, não só por mês
Margem real varia muito por região: show perto de casa custa menos deslocamento que show em outra cidade. Depois de alguns meses de dados, dá pra ver em que praça vale a pena negociar cachê mais alto — o deslocamento está comendo a margem ali.
Erros comuns
- Olhar só o total do mês. Esconde qual show individualmente deu prejuízo.
- Não lançar despesa pequena. Pedágio e estacionamento parecem pouco, mas somam ao longo do ano.
- Contar cachê a receber como já recebido. Gera previsão de caixa errada.
- Não revisar mensalmente. Problema de margem só aparece quando alguém olha os números com regularidade.
O resultado de cada show, automático
No Hub, cachê e despesas entram junto com o cadastro do show — o financeiro mostra a margem real por show e por praça, sem lançamento manual separado.
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